O trabalho do DJ Marcello Boise faz parte do pacote da Casa do Alto para casamentos. Isso quer dizer que eu não sabia nada dele quando fechei. Poucas semanas depois, uma amiga casada lá me informou que ele era "obediente". "Obediente", vejam vocês, não é "ótimo", não é sequer "bom", então eu estava nervosa quanto à parte musical.
Olha, taí uma parte que eu não precisava ter me preocupado.

Para começar, houve um dia em que visitei a Casa e, por conta de falta de táxi, fiquei presa até mais ou menos 1h30 antes da festa do dia acontecer. A essa hora, já estavam lá o DJ e o auxiliar, vestidos de terno e gravata, fazendo teste de som com as músicas da cerimônia. Ora, como ele está lá toda semana há anos, poderia relaxar um pouco nos testes. Mas não, sou testemunha de que ele não dá chance para o azar mesmo.
Continuando, faz parte do pacote um encontro com o DJ na residência dos noivos um tempinho antes. Ele me ligou uns 15 min antes avisando que chegaria um pouquinho atrasado, e esse tal atraso não foi mais de 10 min. Já o amei ali. Quem é ou foi noiva no Rio de Janeiro sabe que esse nível de profissionalismo é raro no meio.
Pois bem, ele chega e dou-lhe uma lista de 4 páginas com todas as músicas que queria que tocasse, mas fora de ordem lógica. Noiva neuróóóótica. Ele poderia reclamar, dizer que ele sabia o que era bom, que eu estava me metendo no trabalho dele (ao que eu ouviria "eu quero usar o que já tenho pronto, não me dê trabalho."), mas não, passou os olhos, sorriu com umas músicas, disse que várias faziam sucesso na pista mesmo, apontou uma ou outra que ele não tinha.
E o bom trabalho dele continua. Ele me mandou por email algumas músicas centrais no casamento para se certificar de que ele tinha a versão exata em que eu pensava. Algumas outras músicas ele me perguntou se eu tinha em arquivo porque ele não tinha conseguido, e eu as enviei. Tudo com antecedência, tudo na calma.
Também respondeu rapidamente a uns emails com algumas alterações, além de uma alteração no próprio dia, em que levei um CD com uma música que eu tinha esquecido. Ele abraçou tudo na boa.
Durante a festa e a cerimônia, de fato e para minha alegria, ele foi obediente. Mas foi muito mais que isso. Ele fez as transições muito bem (quer dizer, no que eu e marido, que não temos um ouvido muito musical conseguimos identificar), acrescentou músicas que tinham tudo a ver (e eu só pensando "puts, como é que me esqueci dessa!") e soube deixar a pista cheia o tempo todo, mesmo quando as pessoas, medrosas que são da violência no Rio, começaram a esvaziar a festa muito cedo. (Aliás, noivas do Alto da Boa Vista, prestem atenção nisso aí, que, às 23h, minha festa já tinha quase acabado por W.O.! Para vocês terem noção, o arremesso do buquê estava planejado para meia-noite.)
Pode parecer pouco, mas já fui à festa de DJ que interrompe uma canção bruscamente, que deixa a música ratear, que alterna mal os ritmos, que vê a pista vazia e insiste no ritmo que não faz sucesso, que repete a mesma canção umas 3 ou 4 vezes na mesma festa ou que faz a mesma ordem do casamento da semana passada (em geral, tudo isso junto, que desgraça pouca é bobagem). Ou seja, DJ ruim é uma entidade que existe, mas, graças ao Marcello, é um monstro que passou muito, muito longe do meu casamento.
É uma pena que o Marcello fique tão atrelado à Casa do Alto, porque aí você precisa gostar da Casa também para tê-lo em sua festa. Mas eu não podia deixar de dar meus parabéns bem sonoros a um dos maiores sucessos da festa! :D
P.S.: Prova maior do sucesso do Marcello é que tenho um milhão de fotos de convidados dançando com um mega sorriso no rosto, inventando um can-can, cossaco ou o vira, fazendo trenzinho, dançando no meio de um círculo, dançando coladinho, lascando beijão no meio da pista, imitando o moonwalk do Michael Jackson, descendo até o chão, pulando até o teto, usando o leque como no flamenco, ou seja, o que não faltaria era foto para ilustrar este post, mas, em nome da privacidade de meus queridos, fica aqui só o bonitão do meu irmão caçula e o jogo de luzes mesmo. Ah, e para não dizer que não falei das flores, deixo o registro dO MOMENTO ÚNICO, INCOMPARÁVEL, INACREDITÁVEL EM QUE O MEU MARIDO SE ACABOU COMIGO NA L-A-M-B-A-D-A!!!!!

(Noivas, vão por mim: todo mundo que viveu os anos 80s vai pra pista na mesma hora em que ouve lambada. Não fica uma cadeira ocupada! Bota "Chorando se foi" e "Dançando lambada" aí pra tocar e vai praticando soltar essa cintura, menina!)