06/11/2009

Você vai emagrecer


Gente, depois comentários sobre o último post do vestido, vi que eu não sou a única noiva a ouvir o fatídico "você vai emagrecer". Notem bem: o povo da indústria do casamento não diz que a noiva DEVERIA emagrecer, o que já seria chato. Não, esse pessoal tem certeza de que a noiva VAI emagrecer. Clarividência pesadora? 

A mim, isso não incomoda porque estou, como dizia o meu antigo professor de geografia, "desenvolvendo a teoria do adubamento bovino" (ou algo que o valha. A ideia é que o boi aduba a terra enquanto caminha.). Também sei que ninguém fala isso por mal. Acho que a intenção é acalmar a noiva, que pode estar tensa com suas gordurinhas localizadas ou, no caso de algumas (eu!), generalizadas. Porém, creio que, para muitas noivas, isso seja uma pressão. Afinal, "você vai emagrecer" pressupõe, triplamente, você QUERER emagrecer ou você se sentir na OBRIGAÇÃO de emagrecer, você efetivamente fazer algo a respeito e, por fim, você se virar para se manter em dieta e em academia num dos seus anos mais tensos e atribulados. Acrescente uns legumes e você terá um excelente caldo de noiva feito na sua panelinha de pressão.

Aplaudo quem aproveita o(s) ano(s) de preparativos como desculpa para se tornar uma pessoa mais saudável. Aplaudo, portanto, aquelas cujas metas são realistas e aquelas que conseguem atingi-las sem cometer loucuras. Eu, entretanto, não estou nessa. Dada que minha obesidade é considerada mórbida, sei que eu deveria estar. Mas até brinco por aí que o noivo não vai casar enganado. A minha meta é casar do jeito que eu sou. E o caso é que eu sou gorda. É identitário mesmo. Não ESTOU gorda. Sou e sempre fui. Digo mais: apesar de saber que eu poderia emagrecer 10 ou 20 quilos e continuar gorda, eu não pretendo perder nenhum grama em três meses. Como não pretendi nesses meses todos de preparativos, aliás.

Então, salvo se um milagreiro "protetor" das noivas descer à terra para me roubar dos quilos que eu não quis perder, eu vou continuar deste exato tamanho. Eu e todas as noivas que assim desejarem casar. :p

Ah, e mais do que teimosamente gorda, eu vou casar é LINDA.  "You know I wouldn't want it any other way."

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Fotos retiradas do {casandoideias}. Mais fotos da noiva Stephanie aqui e da outra aqui.

04/11/2009

Os 10 + Dalits do Casamento

Top 10 de Convidados de Casamento Indesejáveis*


10. O Joselito fashion
O mais inofensivo dos convidados indesejados aparece de jeans ou de tons próximos ao branco (e vamos combinar que o nude é quase bege e qualifica como um faux-pas). Pode também aparecer de microvestido ou mega-decote num casamento na igreja. Em suma, o(a) Joselito(a) não tem noção de como se vestir de acordo com o horário, estilo e formalidade da cerimônia e nem faz o favor de perguntar para alguém que saiba (aka os noivos ou o Google).


9. O profeta do apocalipse
O profeta viu o futuro e não gostou dele. Seu prognóstico para os nubentes é sombrio. "Casar pra quê? Olha que sexo nunca mais, hein!" O profeta pode até estar ele mesmo num casamento duradouro e feliz, mas a vontade de ser desagradável é maior. "Sabia que 50% dos casamentos acabam em divórcio?" Obviamente, os noivos sabem disso e apostam estar na outra metade da estatística.


8. O autoconvidante
Autoexplicativo. Indiscrição pura.


7. O bolo de noiva
O bolo de noiva quer ser o centro da festa. Noivos? Pais dos noivos? O próprio bolo? Que nada! A noite é desse convidado-bolo. Ele pode ser aquele que bebe demais e arruma quizumba no meio do salão ou talvez alguém que faça de tudo para aparecer em todas as fotos dos noivos, mesmo tendo uma relação distante.


6. O Taz
O Taz é o pavor da mesa de doces. Come tudo, não gosta de alguns, deixa cair o doce mordido pelo chão e ainda pisa acidentalmente em cima. Fica ali perto da mesa como um zagueiro, dificultando o acesso de convidados normais. Às vezes, o Taz se materializa como uma velhinha fofa que guarda tantos docinhos quanto couberem na bolsa, no bolso, no sutiã, no paletó do marido...




5. O caça-lembrancinhas
O caça-lembrancinhas mede a qualidade do evento pelo quanto que consegue levar dele. Memórias e fotos não contam. Há de se pegar o maior número de bem-casados, tentar carregar o arranjo de mesa, fazer compras na caixinha do banheiro, etc. Parece que está em busca de bônus num videogame da vida real.




4. O convidado-arrastão
O convidado-arrastão só anda em bando. Ignora que o convite já dê a dica e que "Fulano e família" não inclua os parentes distantes.


3. O vampiro

Com frequência "vampira", essa convidada é bem próxima, como uma melhor amiga ou madrinha que também vai casar. Correrá com tudo para se casar antes de você e pode apostar que copiará as grandes ideias que você teve sem sua autorização. Se ela for se casar depois, dará um jeito de boicotar o seu casamento para garantir que o dela seja melhor... no critério dela, pois casamento de noiva assim não tem magia alguma. É uma impossibilidade universal.



2. O monstro verde


O monstro dos olhos verdes de inveja mede tudo o que há no casamento (em conjunção com a vampira, faz isso para falar no que o dele foi/será melhor). Também é mestre em achar defeitos onde tem e onde não tem. Se o casamento for impossivelmente perfeito, o monstrengo tratará de comentar dos gastos a seu ver desnecessários. Ah, e claro que o monstro não conversará a respeito com um ou outro amigo-do-monstro. O negócio é reclamar o mais publicamente possível.


1. O tô-nem-aí
O tô-nem-aí, quando se dá ao trabalho de estar presente na cerimônia, esquece o celular ligado e é até capaz de atendê-lo, fica aos amassos durante a missa, bate papo durante a cerimônia ou, simplesmente, passa a celebração toda de costas para o altar. Sabe, ele está ali para encher o bucho e estragar o fígado e pede que acabem logo com essa enrolação de juras de amor.


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*Obs.: Em relação ao meu casamento, eu ainda não tive experiência com nenhum desses indesejáveis (erm... exceto com o autoconvidante). Então não é para a carapuça servir para ninguém da minha lista não, hein!

Obs. 2: Vejam que a maioria dos convidados recorre num só erro: uma flexibilidade excessiva do conceito de educação. No entanto, isso não é privilégio dos convidados. Algum ser iluminado poderia pensar numa lista de gafes que os noivos cometem para a gente tentar evitar.

02/11/2009

Relato do Dia D





O dia D passou, e eu devo ter ficado com a cara da Normandia à época.

Não era dia de degustação. Tive de escolher os pratos pelo nome, assim, no escuro. Tudo bem, vou até fevereiro acreditando no que as casadas que foram noivas lá me disseram: que todo mundo é só elogios ao buffet. De alguma forma, isso vai dar certo. Aliás, minha mãe mesmo já comeu desse buffet num casamento no Spazio Itanhangá e amou. Há de ser assim.

Não era dia de encontro com o decorador tampouco. Discretamente, dei aquela conferida no contrato. É, no contrato, não havia nada sobre um decorador. Consta nele que o casamento teria uma decoração floral. E só. E eu, ouvindo decorador para cá e para lá, acabei achando que era outra coisa.

Na Casa do Alto, a decoradora é você. Parece até slogan, mas, no meu caso, foi motivo de tristeza. É óbvio que sei o que me agrada ou desagrada, mas sou capaz de ver um projeto de arquiteto na minha frente, até em 3D e colorido, e não conseguir visualizar. Imagine eu mesma bolando isso... e de improviso.

A cerimonialista e a florista sacaram. Tiveram a paciência de Jó de ficar comigo umas três horas e meia. Mas quem não sabe não se vira nem nos trinta minutos vezes 7. E eu não me virei.

Voltei pra casa. Queria ficar olhando para a parede, esse sucesso arquitetônico que já está muito além de minha compreensão ou capacidade. Só não o fiz porque o noivo e meus pais ligaram o carinhômetro no máximo. Sabe, a decoração não deveria importar.

01/11/2009

Alô, alô, responde!

Ligo para a Casa do Alto para agendar o encontro com o decorador.

Alguém: ALOOOO.
Eu: Alô? -- achei que tivesse ligado errado.
Alguém: ALOOOOO.
Eu: Ermmm, é da Casa do Alto?
Alguém: ÉÉÉ. É daqui MEMU.


Esse é o número para qual nossos convidados vão ligar para confirmar presença. Ai.

Qual é o problema da indústria casamentícia de atender com o corporativo "Empresa X, boa tarde"? Todas as muitas boleiras, doceiras e floristas para que liguei fizeram a mesma coisa. Mesmo que elas tenham um ateliê com um telefone só para isso, elas se recusam a atender com "Fulana bolos". E é ainda pior quando o fornecedor divulga o telefone de casa, mas não confere se os coabitantes vão gostar disso. Depois de o marido ou filho, visivelmente cansado de atender 30 noivas por dia, grunhir o cumprimento telefônico e indagar seu objetivo em importuná-lo, há o inescapável grito de "FULAAAAANAAAA, É PRA VOCÊEEEEEEE." Nos seus ouvidos, lógico.

Ai.